terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CORINTHIANS: REFLEXO DA DEMOCRACIA VIVIDA PELA SOCIEDADE BRASILEIRA

             A eleição de Mário Gobbi mostrou fatos interessantes no cenário democrático nacional.

Primeiro, a resistência que se tem às mudanças, aos novos, prevalecendo a máxima de que “em time que está ganhando não se mexe”.  Na política nacional os palhaços, os bizarros, os caras bonitas, ganham espaço e o pior, ganham votos. Uma vez eleitos, perpetuam-se no poder com suas promessas mesquinhas e iguais que nunca são cumpridas. Uma piada sem graça que custa caro aos bolsos de todos os brasileiros.

Segundo, a tão sonhada liberdade de ir às urnas, sem a atual obrigatoriedade de voto, não funciona como pensamos que poderia funcionar. Dos 11 mil sócios que poderiam votar na eleição do novo presidente do clube, apenas 3,3 mil compareceram às urnas. Guardada as devidas proporções, será que seria diferente uma eleição livre para prefeito, por exemplo?

Terceiro, o candidato da situação, Mário Gobbi, tinha o apoio do ex presidente Andrés Sanches. Gobbi é delegado de polícia. O que nos leva a pensar que ele tem comando, tem disciplina, mas será que tem visão do jogo empresarial? O mesmo acontece nas eleições brasileiras onde se avalia o candidato pelo seu padrinho político, pela impressão que ele passar, mas não se avalia a qualificação para exercer o cargo a que concorre.

Quarto, o candidato da oposição, Paulo Garcia, é empresário, respeitado pela visão moderna e arrojada de gerir empresas. Mas será que ele teria o comando do clube? Será que ele teria a visão política do cargo? Como os brasileiros, a novidade assusta e não representa os anseios de quem tem vantagens do jeito que a coisa tá. A qualificação deixa de ser relevante em prol do “deixa como tá pra ver como é que fica”.

E por fim, o eleito Gobbi afirma que a Libertadores é muito pequena ante a grandiosidade do Corinthians. Estranho ouvir do presidente do clube que a Libertadores é apenas mais um título para o clube. Mas é O TÍTULO para o Bando de Loucos que aguenta há mais de 100 anos gozações e mais gozações. A sensação é a mesma quando ouvimos que o Governo Federal não tem condições de dar aumento verdadeiro ao salário mínimo e meses depois ouvirmos que Deputados Federais e Senadores promoveram o auto ajuste salarial com ‘trocentos’ por centos a mais do que a migalha repartida aos assalariados. O seu nariz, eleitor, ficou vermelho?

Entre o novo e o velho, os brasileiros preferem o velho. Mesmo que seja apresentado por novos, ou como novo. Que não se mexa em time que está ganhando quando o ganhador for o eleitor. É claro que dentro de uma instituição de futebol tudo pode ser resolvido mais rápido, o que não acontece na democracia brasileira. Uma vez votado, o eleitor esquece, não cobra, deixa pra lá, reclama e vota novamente para esquecer, não cobrar, deixar prá lá, reclamar e, votar...

Bom, se a Libertadores não tem valor, é apenas mais um título, O Bando de Loucos deveria não gastar o seu salário mínimo para ir aos Estádios torcer por um clube que não valoriza suas conquistas, pois tudo na verdade não passa de mais um título. O Bando de Loucos não deveria assistir ao jogo desta quarta porque não tem valor algum. Melhor ver um filme, passear de mãos dadas com a pessoa amada, curtir os filhos ou ajudá-los a serem cidadãos. Mas nada disso acontecerá. Os torcedores vão gritar, chorar, se emocionar e vibrar por um time, cujo clube perdeu a humildade de suas raízes: cinco operários.




2 comentários:

  1. Seu texto até que é coerente.
    A senhora só não foi feliz no seu epílogo.
    Quem não faz parte do bando de loucos, não tem o direito de sugerir o que devemos ou não fazer,nem tampouco afirmar o que iremos fazer e ironizar tais ações. Reivindicações são nossas!
    Cabe aos corinthianos agirem conforme seus corações, pois só quem faz parte do banco conhece profundamente essa emoção. Isso é privilégio só nosso, o resto......calado já não tem razão. Passar bem minha senhora!

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    1. Prezado Anônimo...espero que da próxima vez você se revele, pois não há motivos para não o fazer. Concordo com você. Só quem é do Bando de Loucos tem o direito e o dever de falar. Por isso falei. Faço parte do Bando de Loucos e por isso, posso dizer o que quero de melhor para o Timão. O meu epílogo foi tão coerente quanto o texto, pois só quem faz realmente parte do Bando de Loucos é capaz de ironizar, reivindicar e mesmo assim ainda ser apaixonado pelo Corinthians. Obrigada pela sua participação.
      Fraternais Abraços

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