No último dia 7 a CBF, organizadora do torneio, realizou o sorteio referente aos confrontos e aos mandos de campo para as Semifinais da Copa do Brasil Feminina. Conforme consta no regulamento, as quatro equipes que chegassem às Semifinais participariam desse torneio. Ao contrário do que ocorre com o futebol masculino, quando os confrontos em todas as fases são predeterminados antes do início da competição, o futebol feminino tem sorteio...
O que a CBF alega é que essa fórmula adotada para o torneio feminino visa a equilibrar a disputa do título nas Semifinais. O critério adotado pela entidade é separar os times vencedores das quartas de finais em dois grupos. De um lado ficam os times do sul e do sudeste e do outro os times das outras regiões do país.
Como São José e Centro Olímpico são da região sudeste, Estado de São Paulo, os dois passaram a ser os chamados cabeças de chaves. Sendo assim o sorteio realizado foi para determinar contra quem essas duas equipes irião jogar. Depois disso, foi sorteado o mando de campo e as duas equipes paulistas ficarão com a primeira partida em casa, dia 19, e a decisão na casa do adversário, dia 26 de maio. O São José enfrenta o São Francisco (BA) e o Centro Olímpico enfrenta o Vitória (PE)
Se não houvesse o sorteio, as semifinais seriam: São José x Centro Olímpico e, São Francisco x Vitória. Com o sorteio as duas equipes paulista poderão chegar a decisão do título. Lembrando que o Centro Olímpico é considerado o melhor time da competição, por causa do elenco que agregou parte das Sereias da Vila, do extinto time feminino do Santos, e o São José é o atual campeão da Libertadores feminina.
Ora, queria mesmo entender onde está o equilíbrio, pois se as duas equipes paulistas se enfrentassem nas Semifinais, daria mais oportunidade para um time de outra região do país chegar à disputa do título. Será que houve mesmo um sorteio ou foi apenas um acerto para arrecadação de renda, já que a decisão é na casa do adversário? Tudo bem que o futebol feminino ainda não gera renda tão enorme quanto o futebol masculino que justificaria tal acerto. Mas dizer que isso foi feito para equilibrar a disputa, não nos convence mesmo.
E que fique bem claro que esse tipo de coisa ocorre não pela má qualidade dos times femininos, que têm excelentes jogadoras. O que ainda torna inviável a geração de renda nos estádios para o futebol feminino é a falta de incentivo da própria CBF. Será que se a verba dada aos times que disputam a Copa do Brasil Masculina fosse igual para as equipes que disputam a Copa do Brasil Feminina, não teria interesses dos grandes clubes do Brasil em montar times femininos, arrumar patrocinadores, pressionar a mídia etc.?
O Santos bem que tentou, mas o preconceito de todos os setores da mídia, não corresponderam. Só falaram do time santista porque tinha Marta. Só falaram do time santista quando ganhou a Libertadores Feminina em 2009 e 2010. Quando a Marta foi embora, o time não foi lembrando em 2011 e culminou na extinção do esporte no início de 2012, profissionalmente, na Vila Belmiro.
É meninas, teremos uma batalha enorme para vencer o preconceito. Para isso, as mulheres terão de chegar à presidência de clubes, como já ocorre no Flamengo. Teremos de vencer essa etapa, ter mais mulheres administrando os clubes, para depois chegarmos às Federações e quem sabe chegar até a presidência da CBF.
Um longo caminho, mas já entramos em campo como gandulas, como bandeirinhas, com árbitras e agora como técnicas. Agora tá na hora de unir forças e fazer o futebol feminino ser tão respeitado como o vôlei feminino, a ginástica feminina e tantos outros esportes onde o preconceito foi vencido e o esporte foi solidificado.
Em tempo, vale uma resalva. Anos atrás a Rede Bandeirantes investiu na transmissão de jogos de futebol feminino, com narração de Luciano do Vale. Se faltou IBOPE, a culpa foi nossa, meninas. Mas vale à pena tentar abrir as portas das TV’s, das rádios e da imprensa esportiva em geral do Brasil, novamente.
Ás jogadoras dos quatros times que irão disputar as Semifinais, o Futebol Paixão deseja sorte e muita garra meninas. O show não pode e não deve parar.
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